Várias empresas estão precisando de profissionais com experiência em Cobol, mas não encontram, diz Gilberto Faes, presidente da Associação Brasileira de Profissionais Cobol (ABPC). A entidade conta com aproximadamente 1,5 mil cobolistas que estão bem empregados. Em compensação, Faes diz que alguns querem se aposentar, mas não conseguem por falta de gente para substituí-los. A linguagem Cobol tem quase meio século. Suas especificações foram criadas em 1959 pela analista de sistemas da marinha americana, Grace Hopper. Quando os micros se espalharam pelas redes, a língua dos mainframes ficou escondida. Surgiram outras tecnologias e como não havia procura por cursos nessa área, as universidades tiraram essa formação da grade curricular. Os jovens estão mais atraídos por Java e .Net. Faes menciona que a Universidade Mackenzie e a Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) estão entre as poucas que ainda formam programadores em Cobol. Apesar da falta de interesse do mercado por Cobol, o Brasil tem uma grande base de mainframe em bancos e indústrias. Uma pesquisa recente da IDC revelou que enquanto as compras dessas máquinas vêm caindo ao redor do mundo, no Brasil as vendas desses equipamentos se mantiveram em 30% no ano passado. Em 2006 foram vendidos 100 computadores de grande porte no Brasil, quase o dobro dos 52 comercializados em 2003, o que demonstra a longevidade do Cobol. Antonio Carlo Rego Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brascom), comenta que a demanda por programadores de Cobol não acontece só no Brasil. Os Estados Unidos, que é o maior comprador de serviços de TI, tem uma grande base de mainframe. Tanto é que a entidade criou um programa para capacitar mão-de-obra nessa linguagem para atender o mercado externo. A empresa alemã T-Systems, que abriu no ano passado um centro de desenvolvimento em Blumenau (SC) contratou 21 jovens com a condição de que eles estudassem Cobol. A prestadora de serviços tem clientes como as montadoras Volkswagen e Daimler Chrysler. Perpectivas de salários Segundo o presidente da ABPC, os salários para programadores de Cobol giram em torno de R$ 1,5 mil para trainees; entre R$ 4 mil e R$ 5 mil para profissional pleno e R$ 12 mil para quem atingiu o nível sênior.
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