Mercado busca especialistas em Cobol

Edileuza Soares - 01/04/2007 - 22:42


Estima-se que há no Brasil uma escassez de aproximadamente 20 mil profissionais de TI. Como se não bastasse esse déficit, o governo brasileiro tem a meta de formar 100 mil novos profissionais até 2010 para atender o mercado de exportação de software e serviços, o chamado offshore de outsorcing. As empresas buscam talentos que falem bem a língua dos negócios, que é o inglês, e tenham experiência na área. Os que sabem programar Cobol levam vantagem por causa da carência de especialistas nesta linguagem tanto para atuar no País quanto no exterior.

Várias empresas estão precisando de profissionais com experiência em Cobol, mas não encontram, diz Gilberto Faes, presidente da Associação Brasileira de Profissionais Cobol (ABPC). A entidade conta com aproximadamente 1,5 mil cobolistas que estão bem empregados. Em compensação, Faes diz que alguns querem se aposentar, mas não conseguem por falta de gente para substituí-los.

A linguagem Cobol tem quase meio século. Suas especificações foram criadas em 1959 pela analista de sistemas da marinha americana, Grace Hopper. Quando os micros se espalharam pelas redes, a língua dos mainframes ficou escondida. Surgiram outras tecnologias e como não havia procura por cursos nessa área, as universidades tiraram essa formação da grade curricular. Os jovens estão mais atraídos por Java e .Net.

Faes menciona que a Universidade Mackenzie e a Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) estão entre as poucas que ainda formam programadores em Cobol.

Apesar da falta de interesse do mercado por Cobol, o Brasil tem uma grande base de mainframe em bancos e indústrias. Uma pesquisa recente da IDC revelou que enquanto as compras dessas máquinas vêm caindo ao redor do mundo, no Brasil as vendas desses equipamentos se mantiveram em 30% no ano passado. Em 2006 foram vendidos 100 computadores de grande porte no Brasil, quase o dobro dos 52 comercializados em 2003, o que demonstra a longevidade do Cobol.

Antonio Carlo Rego Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brascom), comenta que a demanda por programadores de Cobol não acontece só no Brasil. Os Estados Unidos, que é o maior comprador de serviços de TI, tem uma grande base de mainframe. Tanto é que a entidade criou um programa para capacitar mão-de-obra nessa linguagem para atender o mercado externo.

A empresa alemã T-Systems, que abriu no ano passado um centro de desenvolvimento em Blumenau (SC) contratou 21 jovens com a condição de que eles estudassem Cobol. A prestadora de serviços tem clientes como as montadoras Volkswagen e Daimler Chrysler.

Perpectivas de salários

Segundo o presidente da ABPC, os salários para programadores de Cobol giram em torno de R$ 1,5 mil para trainees; entre R$ 4 mil e R$ 5 mil para profissional pleno e R$ 12 mil para quem atingiu o nível sênior.


http://wnews.uol.com.br/site/noticias/materia_especial.php?id_secao=17&id_conteudo=387&id_coluna=9

 

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